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As métricas não são e não devem ser sua única bússola nas redes sociais

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Há uma busca incessante por receitas de como fazer sua página “bombar” no Facebook, jogar os números de seguidores para além das “metas”, e produzir conteúdos “virais”, seja pelo teor de alto “engajamento”, seja pelo auxílio de “influenciadores”.

As métricas ajudam a criar essa sensação de que existe algo de científico por trás do sucesso nas redes sociais. Mas diferente da ciência que consegue reproduzir os resultados em laboratório, a comunicação é por demais imprevisível.

Caso contrário poderíamos criar um novo Pen Pineapple Apple Pen ou um Isso é muito Black Mirror a cada 17 dias, exceto feriados.

Então muito do que vou escrever aqui são conjecturas, empirismos cuja experiência pessoal me faz crer que podem ser um bom caminho para ter uma página legal. Sim, legal.

Porque uma das primeiras coisas que você deve pensar é: quem usa o Facebook está simplesmente atrás de coisas legais. Só quem trabalha com comunicação consome a rede a trabalho. O resto do mundo está só enrolando na hora do almoço antes de voltar a trabalhar. Está entediado no busão lotado, se equilibrando para não deixar cair o celular. Está deitado na cama quase dormindo enquanto dá uma última (ou a primeira) olhadinha no que está acontecendo na vida.

E é essa pessoa que você deve ser na hora de pensar seu conteúdo.

Que tipo de post vai me fazer ter o trabalho de dar uma curtida? Ou pior, ter o trabalho de digitar um textão em um teclado minúsculo? Share, então, nem se fala.

Provavelmente é aquele conteúdo que causa alguma emoção.

Porque a internet é dos cachorros e dos gatos? Porque eles causam uma resposta emocional. Emoção engaja. Emoção positiva gera reaction. Negativa, debate. Ela te impele a sair da inércia, matar a preguiça e realizar o esforço hercúleo de interagir com desconhecidos.

Então, dentro do assunto da sua conta, o que faz você, pessoa física, falar “wow”? Não falo daquilo que “hm, é, interessante”. Isso é você forçando empatia. Você precisa achar o wow dentro daquele assunto. Tem que ter alguma coisa. Porque se há pessoas gostando daquilo, elas devem enxergar algo ali. E essa gente é gente como você, apenas tentando vasculhar o mundo atrás de sentido.

Por mais que você ache esse ser o mais feio, chato e bobo entre todos os bobos, chatos e feios. Por mais que você não entenda como ele sequer funciona daquele jeito. O fato é que ele chegou até ali por um caminho. E é esse caminho que você tem que observar.

E aí vem o bê-á-bá das redes sociais: fotos e vídeos com imagens que causem impacto emocional + conteúdo relevante (bem apurado!) para gerar fato curioso que incentive o share. Sim, você é um hub de conteúdo, um feed de notícias. Dependendo de como você fizer pode ser que outras contas não concorrentes compartilhem o seu conteúdo, já que você fez parte do trabalho para elas.

Por fim, o ritmo da página. Ter um histórico e um cronograma bem organizado em tabela te ajuda a ter um panorama real da frequência de temas abordados. Uma análise mais fria vai te ajudar a revelar se naquele momento ela está sendo mais sombria, leve, verde, azul, gordinha, coxinha, mortadela, team HBO, team Netflix… E assim você vai saber qual o mood da sua publicação.

Afinal você página também é um dos interlocutores da conversa e é bom saber quando você tem suas alterações de humor e como as pessoas respondem a isso. E aí cabe a quem decide as coisas avaliar se vale a pena compensar os desvios ou se é interessante arriscar e puxar para este ou aquele lado.

E não vale confiar na avaliação só dos posts daquela campanha. Ou naquela olhadela na timeline dos últimos dois dias. Isso é análise de longo prazo. E ignorá-la é um passo para a exceção virar regra e o viés de confirmação te levar para longe do seu público, que só estava lá tomando um chá quentinho à espera do próximo sorriso interno rs.

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